quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sim






Clara fazia força para que seus pensamentos acompanhassem as batidas de seu coração que batia rápido como nunca.
 - Faz um tempo que eu queria te falar isso.
Essa foi a frase que antecedeu o sorriso que se arquitetou na boca do homem que aparentemente sabia seu manual de instruções de cór. Depois de alguns segundos de perplexidade, Clara percebeu que seu queixo já encostava em seu colo quando finalmente organizou seus sentimentos: a indignação se misturava com a dor de um recado qeu veio tarde demais.

Bruno tentava disfarçar a ansiedade, mas sua paciência havia esgotado. Ensaiara para esse momento por tantos anos, que já lhe falhavam a conta. E agora, estava ali, esperando a resposta que por tantos anos imaginou.

Clara sorriu. Ensaiou começar uma frase por algumas vezes, quando finalmente a voz veio e ela apenas perguntou:
- Desde quando?
- Desde que te vi naquele ginásio, toda suada e com o tornozelo machucado.
Desse momento ela se lembrava bem: tinha apenas 10 anos e se machucara durante uma partida de volei e em meio a lágrimas, avistou de longe um menino que veio em sua direção oferecendo ajuda. Eram duas crianças mas, o pouco cavalherismo que aquele menino apenas 2 anos mais velho que ela demonstrou, fora suficiente para que ela decidisse que se casaria com ele um dia.
"Talvez não casamento, mas pelo menos quero tê-lo na minha vida para sempre" ela pensava tristonha sempre que ele arrumava uma namoradinha nova.

- Mas voce sempre teve outras namoradas, e meninas e eu era sempre...
-..Sempre a única importante dentre elas.

Clara não se enganaria. Era bom ouvir aquilo, como sempre sonhou, mas as coisas naquele momento eram complicadas demias. Finalmente, depois de anos tentando, ela havia conseguido o estágio em Paris que sempre sonhara. Não era momento de ele vir e colocar a sua disposição um outro grande sonho: ficar com ele pelo resto da vida.

-Eu não quero que você desista dos seus sonhos, mas você tinha que saber antes de ir.
Clara não conseguiu segurar sua indignação diante de tal afirmação:
- Agora? Depois de 10 anos? Depois de tantas noites jogando baralho e olhando as estrelas? Agora, depois de 10 anos olhando para mim todos os dias e vendo que eu sofria tanto com outros meninos? Agora, que eu finalmente consegui algo na minha vida que não incluia você?
- Como eu poderia saber...
- ..que eu te amava? - Completou ela em meio a lágrimas - Eu passei 10 anos te amando e quando finalmente consigo dar um passo a frente nessa teia que me prende que é você, você vem me dizer que me ama?

Bruno não falou nada. Apenas fez o que sempre fazia quando ela estava chateada. A abraçou. Clara tentou resistir e depois se rendeu aquele abraço que sempre sabia fazê-la sorrir. O cheiro dele a envolveu e ela despencou em lágrimas nos braços daquele que fazia com que o resto do mundo desaparecesse.

O funcionário do aeroporto a alertou de que ela precisava embarcar. Tentando sorrir, Clara olhou para o corredor que a levaria para seu sucesso pessoal e profissional e para o homem que a levaria as estrelas.
Ela mecheu em seu cabelo, olhou em seus olhos, sorriu e disse:

- Sim.

Bruno assistiu o amor de sua vida entrar pelo corredor, e de repente uma alegria inundou seu coração, ele sorriu, virou as costas, e foi arrumar suas malas.

2 comentários:

  1. uaaaaaaaaau mesmo !! muito bom Ana !!sou muito fã dos seus textos !! XD

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