quarta-feira, 23 de março de 2011

Pontinhos Coloridos no fundo azul - Narraçao (nao me lembro a faculdade)



                
  - Não me importa sua opinião, você vai fazer exatamente como os outros fazem. Fui claro?

Pedro apenas concordou balançando a cabeça e se limitou a dar um sorriso. Ele compreendia sua pequenês diante da grande máquina que lhe dava ordens. Era apenas mais um, no meio de bilhões de pontinhos coloridos sobre o fundo azul.
 Não era o primeiro a questionar a ordem estabelecida e com certeza não seria o último. Às vezes, o "GPS" desses pontinhos fava um probleminha ou outro, os permitindo olhar para os lados, e era pra  esse tipo de problema que eles estavam sob olhos atentos que imediatamente davam um jeito.
 Enquanto Pedro andava de volta para suas funções, esbarrou em um pontinho diferente de todos os outros que já tinha visto. A cor era tão alegre e viva, que ele quase não conseguiu defini-la. Com muito esforço, decidiu que era uma mistura refrescante de amarelo, laranjado e vermelho. Seu coração - que ele já nem sabia que existia - pulou e suas mãos até suaram quando aquela "pontinha" em meio a sua luta, lhe deu um sorriso. Estava sendo carregada a força por dois pontinhos escuros que trabalhavam para grande máquina. Aparentemente,  pelo mesmo motivo que ele havia sido levado até lá minutos mais cedo, mas ela, diferente de Pedro, não se conformava com a realidade e pela a expressão contraída de seu rosto e a forma com que debatia com seus braços e pernas, não ia se conformar tão cedo.

  Pedro resolveu adiar suas tarefas no momento em que a viu se sentar na sala de espera. Suas cores vibravam tanto que praticamente o chamavam para se juntar a ela. Resolveu obedecer.

- Bom dia! - Exclamou ela assim que o viu.
Pedro se assustou com a recepção calorosa, com a vida que aquela pontinha o passava mesmo numa situação como aquela e com a reação que aquela voz causou nele. Ele sorriu, sorriu de verdade, outra coisa que ele nem se lembrava que existia.

- Bom dia, tudo bem? - Ele quase se arrependeu de ter perguntado, já que ela começou a falar e não parava mais! Só falava em revolução, ideologias, mudanças, assuntos que Pedro nem se quer dominava mas o que o atraia eram suas cores que enquanto ela falava vibravam cada vez mais e atingiu o ápice do vermelho quando ela contou seu plano mirabolante do qual Pedro imediatamente já fazia parte.

- Se você me ajudar, vai dar tudo certo e nós vamos ser livres!
- Livres? - perguntou Pedro com certo cinismo - tem certeza?

Ela o olhou como quem desaprovava seu tom de cinismo. Pedro ficou sério embora por dentro não parava de sorrir, tal vida ela o trazia.
Jogando os ombros pra trás, ela retomou sua expressão de alegria, como que ignorando a falta de visão do mais novo colega.

- Vem comigo, que eu te mostro como chegar lá!

Pedro sentiu sua mão formigar ao sentir a dela apertando seu braço. Naquele momento, Pedro sentiu seu verde escuro ficar um pouco mais rosado, pro lado do vermelho.                                          

sexta-feira, 11 de março de 2011

07.03.11

 Hoje eu quero falar um pouco sobre o que aconteceu comigo nesses últimos meses. Sem rimas, poesias ou estilos literários. Eu sou a Ana, aquela filha do pastor Gedeão e da Celma. E foi essa que eu sempre fui, a filha do pastor Gedeão que é a cara da mãe Celma. Por quantos anos, eu estive a frente da igreja cantando "Te louvarei, não importam as circunstâncias"? Por quantos anos, criei com a ajuda de algumas pessoas uma expectativa em mim e na minha fé que julgava ser inabalável?!
 Nesse feriado de carnaval, no acampamento, o Pastor Eduardo falou coisas tão incríveis que pareciam se encaixar perfeitamente nas lacunas que estavam em branco da minha dor, do meu passado, da minha vida. Em uma de suas pregações ele falou de Felipe, o grande exemplo da vida dele. Bem, eu tive um exemplo também. Em 2008, eu conheci uma menina. Seus olhos brilhavam, seu sorriso irradiava e sua gargalhada contagiava. Ela falava de Deus, de uma forma diferente, como eu nunca havia escutado antes, ela me abraçou com um amor que eu nunca tinha sentido antes, ela me entendia, me amava, me corrigia, me guiava.
Deus tirou meu exemplo de mim. Meu exemplo morreu com apenas 16 anos e uma vida inteira pela frente.
A morte da Cissa, fez um estrago enorme na minha vida, e eu, logo eu, que todos esperavam que aguentaria, eu, que eu mesma esperava aguentar, não supri as expectativas. Eu que pensava que choraria e pronto, não consegui seguir em frente. Dentro de mim, a ferida se abria mais e a dor me perturbava aos poucos. Eu não louvei em qualquer circunstância, eu não dei graças em tudo, mesmo depois de anos cantando, simplesmente não era simples assim.
"Mas o fracasso não é a última resposta". Foi exatamente as palavras que saíram da boca do pastor quando passou pela minha mente que eu tinha falhado, eu tinha fracassado.
Nos últimos meses, eu senti uma dor indescritível, eu chorei, eu questionei, eu duvidei, eu tive raiva, angústia, e deixei que essas coisas me afastassem um pouco de Deus. Tudo me lembrava ela, todo versículo da bíblia, toda música do louvor, todo canto, todo lado. Talvez em uma expectativa de tê-la um pouco por perto, me agarrei em outra saída: falar dela. Falava dela 24 horas por dia, de como ela era linda, de como ela era uma bênção, de como Deus falava através dela,  e blá blá blá. E de novo, minha resposta veio 5 meses depois através do pastor que disse "Para de falar do quanto os outros são uma benção, levanta e seja você uma bênção!"
Meu coração batia, de alegria meus olhos se encheram de lágrimas, lá estava ELE, lá estava Deus se importando comigo a ponto de me responder. Lá estava quem eu "procurei" durante meses.
Eu queria ser uma benção, naquele momento, eu queria ser tudo que eu era, eu queria deixar de ser uma crente "ava" (que orava, pregava, cantava...) eu queria fazer, eu queria ser. Eu queria aprender a louvar independente da circunstância, e no dia 07.03.11, eu senti meu coração queimar como nunca havia sentido antes, era Ele, que ignorando todas as minhas falhas e o meu fracasso, me chamava pra viver dependendo dEle, me chamava pra amar, me chamava pra ser testemunha do Teu amor, e eu fui. Eu fui e eu vou. Pra onde Ele quiser e quando Ele quiser, eu vou.
Uma das coisas que me marcou, foi quando disseram que o lugar mais seguro onde se pode estar, é no centro da vontade de Deus, e é lá que eu quero estar.
Eu precisei cair, pra que Deus me resgatasse, eu Ana Clara, não eu a filha do pastor Gedeão ou filha da Celma, eu, eu caí e Deus segurou a minha mão, olhou em meus olhos me chamou pelo nome, e me levantou.
Que Deus edifique sua vida na rocha, como está edificando a minha. Muito obrigada a todos os meus amigos, meus pais, pastores, e equuipes de louvor que foram instrumentos de Deus pra me ajudar nessa fase difícil da minha vida.
Tá na hora de pensar no nosso relacionamento com Deus, como Ele e a Cissa iam querer que a gente fizesse.

                                                          

"Não há ninguém como o Senhor, nosso Deus, que tem o seu ttrono nas alturas, mas se inclina para ver o que há no céu e na terra." Sl 113:5-6



"Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.Quem é este que sem conhecimento obscurece o conselho? por isso falei do que não entendia; coisas que para mim eram demasiado maravilhosas, e que eu não conhecia.Ouve, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me responderas.Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos." Jó 42:2-5