sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um novo par de asas!

Engoli seco enquanto olhava meu reflexo no espelho. Todos os pêlos do meu corpo se levantaram quando tive a ousadia de encostar com a ponta dos meus dedos aquilo que sem dúvida não era normal.
Mas se tudo estava estranho, dali pra frente ficaria pior.
Meus olhos se encheram de gotinhas salgadas que insistiram em cair assim que pela janela entrou um panapaná todo colorido, com borboletas azuis, amarelas e roxas. Exatamente as cores que estampavam meu novo par de asas.

Quando ouvi meus pensamentos - que praticamente gritavam  "PAR DE ASAS!" - a ideia me soou tão idiota que não podia fazer nada além de cair na risada.
" E se for algum tipo de doença? E se..."
Nem pude terminar minha sessão de indagações porque o silencio do quarto foi quebrado pelas batidas fortes na porta.
"Filha? Já está acordada? Temos uma surpresa na cozinha!"
A voz rouca de meu pai me trouxe a certeza de que aquele absurdo não era um sonho.

"Que desespero! Grande assim, vai ser impossível de esconder... Será que nunca mais vai sumir?"
Fiquei presa em pensamentos e me esqueci de responder, o que aumentou a intensidade e a frequencia das batidas e o tom de preocupação já modelava as graves e roucas notas:
" Laura? Está tudo bem? Eu vou entrar! "

Comecei a espantar as borboletas que posaram por toda a parte e meu coração foi a mil quando ouvi o barulho da porta se abrindo. Olhei para ele com a melhor expressão que consegui, mas já sabendo que ele estaria desmaiando de susto.

Pra minha surpresa ele sorriu como se não houvesse nada de diferente. Sua reação levou meus olhos a correrem de encontro ao espelho e elas já não estavam mais lá. Nem as borboletas, nem as asas. Não sabia bem se era um alívio ou o anuncio da minha insanidade, mas nem tive tempo de pensar nisso já que meu pai se apressou em me levar - praticamente carregar - para a cozinha que estava com alguns balões e um bolo em cima da mesa. Sorri.

"Parabéns filha! Nem acredito que já tem treze anos! " Foi o que a doce voz da minha mãe - que parecia flutuar no ar - desenhou dentro de um abraço. Minha vontade era despencar em choro e contar que eu possivelmente morreria logo por uma anomalia extrema. Mas ela não entenderia...Quer dizer, nem eu entendia!

Comi um pedaço do bolo e voltei pro quarto, todo meu corpo doía e quando minha mãe detectou febre, sugeriu que tomasse algum remédio pra gripe. "Pobre coitada, se soubesse..." pensei. Escondi esse pensamento o melhor que pude só pra despistar todas as perguntas.

Quando abri a porta do quarto, quase acreditei que o que vivi algumas horas mais cedo havia sido um engano, uma miragem ou algo assim. Tudo estava tão normal quanto pode ser. Andando sobre as pontas dos pés, fui entrando com medo de alguma coisa que nem eu mesma sabia o que. Por algumas horas tudo ficou em silêncio enquanto eu sentada na cama, tentava esquecer a cena. Foi quando olhei para o lado, e vi uma - apenas uma - borboleta que pousara serenamente no corrimão da sacada.

Estremeci. Suas asas eram imensas e brancas e ela parecia pronta para voar. Resolvi morder a isca. Cheguei mais perto para apreciá-la e quase morri de susto quando quando ouvi uma voz grossa que aparentemente saía dela - ou dele, questionei.

"Olá minha querida, fico feliz que esse dia tenha chegado."
"C-como é? V-você fala?"
"Claro que falo!"
"M-mas como eu nunca ouvi antes?"
"Porque as pessoas insistem nessa pergunta? Sabem que não prestam atenção nem quando escutam uns aos outros, quanto mais para ouvir a voz que vem de algo 'impossível' "

Tive de concordar. A voz era aconchegante e convidativa, e eu nem percebia estar falando com uma borboleta.

"Como é seu nome?"
"Óh como tenho sido mal educado, me perdoe! Meu nome é Ágape e é um prazer finalmente ser ouvido por você!"
"Então você já tentou antes? Me conhecia?"
"É claro, te conheço há muitos anos mas não se culpe por nunca ter me escutado, você apenas não estava pronta!"
" Certo mas, o que você veio fazer aqui?"
"Além de te dar um dos mais belos pares de asas do mundo? Vim ensiná-la a usá-las."

Laura viu com o canto de olho que elas estavam de volta, pareciam maiores, mais fortes e mais coloridas sob a luz do sol. Pensou que não seria tão dificil assim se acostumar com aquilo.

"Usá-las? Eu mal acostumei com elas e já tenho que saber voar?"

Seu coração batia forte. Se sentia estranha, meio insana por se sentir tão confortável conversando com uma borboleta.

"Você sempre teve asas. Mas agora, vou te ensinar e permitir que você voe."
"Eu não conseguiria! É impossível! "
"Se você ouvisse mais a minha voz saberia que nada é realmente impossível."
E ao dizer isso, Laura jurou que vira um sorriso se arquitetando na face dele.

"Mas, e se eu cair? E se eu errar? "
"Eu não vou deixar você sozinha, estarei com você sempre, eu prometo!"

Essas palavras trouxeram uma coragem inesperada. Laura sorriu, e dando uma piscadela perguntou:
"Ok, como podemos começar?"

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Algumas vezes a verdade está onde não passados os olhos duas vezes.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Príncipes e Sapos

                                                     
Desde pequenas somos bombardeadas com a ideia de um príncipe encantado. Seja nos filmes da disney ou nos Ken's e Bob's, todas nós, se perguntadas, saberíamos dizer como é um "príncipe." Na imaginação de milhares de princesinhas - De cabelos louros, escuros, crespos ou lisos - um príncipe aparecerá um dia e dirá tudo aquilo que elas sonham em ouvir. E o pior, é que não melhora com a idade. Muitas mulheres continuam cegas e presas na espera do cara perfeito e muitas vezes jogam fora a chance de ser feliz por não ser alto, bonito ou forte o suficiente.

   Pois eu tenho um segredo pra contar: Muitas vezes os príncipes mais óbvios são os verdadeiros sapos e vice-versa.
 
   Qualquer homem pode chegar e dizer o quão linda você é ou como ele gosta quando você muda seu cabelo, mas um príncipe mesmo jamais diria isso na mesma intensidade e na mesma veracidade para duas princesas ao mesmo tempo. E um príncipe de verdade, não falaria isso somente para conseguir um beijo ou para manter a magia que te segura ali, presa a ele.

   Um Príncipe nem sempre é aquele que tem coragem de se declarar de cara, fazer juras de amor eterno e - choquem - nem sempre é o cara mais legal e mais bonito da cidade. Na verdade, muitas vezes ele é aquele que cuida de você em silêncio, que desperta seu sorriso mais sincero, e não espera ser impressionado pela sua beleza ou seu jeito, você já o impressiona naturalmente.

    Não espere por um homem que vai aparecer com a aparência de um boneco, com um sorriso branco e o o cabelo liso jogado no rosto. Não espere um homem que se submeta a tudo que você pedir e que será inteiramente sem defeitos. Não espere por um homem que não vai se irritar com você às vezes e que vai aturar suas TPM's com um sorriso no rosto. Não espere por um príncipe óbvio, espere por um sapo que ao seus olhos é um príncipe.

  Espere por um homem que vai ser o homem mais lindo do mundo mesmo com algum detalhe diferente do estereótipo.

   Espere por um homem que vai discutir com você sempre que chegar estressado do trabalho ou quando o time dele perder. Sim! Espere por esse porque aí sim, você vai conhecer o sorriso arrependido dele enquanto vocês se acertam.
   
   Espere por um homem que vai reclamar quando você escolher um filme de drama para assistir, porque aí sim você vai conhecer o lado paciente do amor enquanto ele estiver ao seu lado suspirando fundo, olhando no relógio, contando os minutos para o fim não porque ele não goste de ficar ao seu lado e sim porque ao final, ele sabe que vai ter toda a sua atenção pra ele.

   Espere por um homem que vai rir quando você esquecer os bobs no cabelo e o creme no rosto, não porque sua beleza se tornou monótona para ele mas sim porque ele já sabe que você é linda, e é dele.

    Espere por um homem que vai se incomodar quando os amigos deles comentarem como você é linda, não porque você não seja linda mas exatamente porque você não é um troféu  e sim a coisa mais importante do mundo. Zelo é bem diferente de ciúme.

  Espere pelo homem que vai apoiar seus sonhos e seus empreendimentos mesmo que sejam bem longe dele. Não porque ele não te queira por perto, mas porque ele te ama o bastante pra se alegrar na sua realização.

  Espere pelo homem que vai achar outras mulheres bonitas. Porque aí ele vai olhar pra você e sorrir ao pensar "Essa é mais linda e é só minha."

  Espere por alguém que vai te fazer chorar, passar raiva e ter ciúmes, porque isso, é sinal que vocês se amam e se importam. Espere por alguém que vai fazer tudo isso, ao seu lado, segurando sua mão, exatamente como tinha que ser.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Amigos-namorados


 "Eu te amo".
Eles se olham e sorriem, como se pudessem ler os pensamentos um do outro.

Todo mundo já teve um amigo(a)-namorado(a).
  Amigos-namorados são aqueles melhores amigos que agem como namorados mas não são. Que se conhecem mais do que qualquer outra pessoa jamais poderia conhecê-los, que sabem os pensamentos um do outro de cor, sabem fazer sorrir, consolar, enfim, são tão felizes na companhia um do outro, que não conseguem achar isso em mais ninguém. Amigos-namorados, são tão ligados emocionalmente que vai além de uma amizade, talvez, até além de um namoro, é um tipo de relacionamento que fica marcado pelo resto da vida de quem o vive. 
 Amigos-namorados andam de mãos dadas sem se preocupar com que os outros dizem,  ele beija a testa dela e ela sabe que aquele beijo carrega o maior amor e respeito que ela poderia pedir de alguém. Amigos-namorados tem seu próprio jeito de olhar, de sorrir, de chamar, são tão próximos e carinhosos entre si, que só não se beijam.
  Alguns até se beijam...
 O mundo talvez não esteja pronto pra aceitar esse tipo de relacionamento, mas eles não se importam, sabem que estarão juntos sempre, mesmo separados. Afinal, ele(a) prometeu.
Amigos-namorados elogiam-se sem malícia, se abraçam com pureza, se procuram em meio a todas as outras pessoas, se ligam pra ouvir como foi o dia, odeiam a namorada(o) um do outro, sentem ciume mas apoiam a felicidade um do outro. E nada no mundo os faz  sorrir como ver o outro sorrindo.
 Pensem o que quiser, eles NÃO se incomodam de ficar assim. Nem só amigos, nem só namorados, mas sim um companheiro que vão levar pro resto da vida no coração.
 Se questionam as vezes, se é assim que tem que ser, mas é só se encontrarem que se lembram: é exatamente assim, que tem ser. 
Amigos-namorados são aqueles que se amam em segredo, mas aquele segredo que todo mundo sabe, só eles que não assumem. E assim fica.
 Que você seja tão feliz com o seu(sua) amigo(a)-namorado(a) como eu sou com o meu.



                                                    Dedicado ao meu amigo-namorado, eu te amo, você é o melhor.




                                                               

domingo, 19 de junho de 2011



Tem dias que dói mais, outros, bem pouco. Mas ainda não houve um sequer em que não doesse.
Me pergunto se a dor é por saber que a culpa é minha ou se é só por não ser sua mais. E pior ainda, é quando percebo que todo esse sofrimento era inevitável, necessário.
Lembro de tudo, cada detalhe e sempre que vou me deitar, essas lembranças vem me torturar, de forma tão real que é como se sentisse sua mão na minha, o calor do seu abraço, coisas que antes eram tão naturais e hoje são tudo que me resta de você, e é nelas que eu me agarro, com todas as forças, como numa tentativa de te segurar aqui, mesmo sem nem sequer te ter aqui.

E assim nós seguimos, você tentando entender minhas explosões emocionais e eu tentando suprir a falta que me faz. No começo, trazer de volta os motivos que usei para justificar minha impulsividade me ajudava a entender mas, até isso perdeu o poder sobre mim. A verdade, é que eu deixei que meu orgulho assumisse o controle de mim e em fração de segundos ele conseguiu destruir todos nós: Eu, você e a felicidade.

Fiz promessas que não cumpri, disse coisas da boca pra fora, mas só eu sei como é difícil sem você aqui, e às vezes, até penso em sair da muralha que construí para que me protegesse, só pra saber se você ainda pensa em mim, como eu penso em você, pra saber se o seu travesseiro é regado por lágrimas como o meu é, se ao se olhar no espelho, você também vê seus olhos vermelhos e fundos se encherem de lágrimas - over and over again.

Mas isso vai passar, né? Essa dor...se a sua passou...
E assim eu sigo, andando para a frente mas com o olhar sempre atrás, desejando que algo de novo possa trazer de volta o sorriso que você tanto gostava. Tanto gostava, que decidiu levar para si.
E assim eu sigo, com você tomando conta do meu coração, do meu pensamento, enfim, de mim.

"O que me da raiva, não é o que você fez de errado, nem seus muitos defeitos, nem você ter me deixado. O que dá raiva são as flores e os dias de sol, são os seus beijos e o que eu tinha sonhado pra nós..." Leoni.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sim






Clara fazia força para que seus pensamentos acompanhassem as batidas de seu coração que batia rápido como nunca.
 - Faz um tempo que eu queria te falar isso.
Essa foi a frase que antecedeu o sorriso que se arquitetou na boca do homem que aparentemente sabia seu manual de instruções de cór. Depois de alguns segundos de perplexidade, Clara percebeu que seu queixo já encostava em seu colo quando finalmente organizou seus sentimentos: a indignação se misturava com a dor de um recado qeu veio tarde demais.

Bruno tentava disfarçar a ansiedade, mas sua paciência havia esgotado. Ensaiara para esse momento por tantos anos, que já lhe falhavam a conta. E agora, estava ali, esperando a resposta que por tantos anos imaginou.

Clara sorriu. Ensaiou começar uma frase por algumas vezes, quando finalmente a voz veio e ela apenas perguntou:
- Desde quando?
- Desde que te vi naquele ginásio, toda suada e com o tornozelo machucado.
Desse momento ela se lembrava bem: tinha apenas 10 anos e se machucara durante uma partida de volei e em meio a lágrimas, avistou de longe um menino que veio em sua direção oferecendo ajuda. Eram duas crianças mas, o pouco cavalherismo que aquele menino apenas 2 anos mais velho que ela demonstrou, fora suficiente para que ela decidisse que se casaria com ele um dia.
"Talvez não casamento, mas pelo menos quero tê-lo na minha vida para sempre" ela pensava tristonha sempre que ele arrumava uma namoradinha nova.

- Mas voce sempre teve outras namoradas, e meninas e eu era sempre...
-..Sempre a única importante dentre elas.

Clara não se enganaria. Era bom ouvir aquilo, como sempre sonhou, mas as coisas naquele momento eram complicadas demias. Finalmente, depois de anos tentando, ela havia conseguido o estágio em Paris que sempre sonhara. Não era momento de ele vir e colocar a sua disposição um outro grande sonho: ficar com ele pelo resto da vida.

-Eu não quero que você desista dos seus sonhos, mas você tinha que saber antes de ir.
Clara não conseguiu segurar sua indignação diante de tal afirmação:
- Agora? Depois de 10 anos? Depois de tantas noites jogando baralho e olhando as estrelas? Agora, depois de 10 anos olhando para mim todos os dias e vendo que eu sofria tanto com outros meninos? Agora, que eu finalmente consegui algo na minha vida que não incluia você?
- Como eu poderia saber...
- ..que eu te amava? - Completou ela em meio a lágrimas - Eu passei 10 anos te amando e quando finalmente consigo dar um passo a frente nessa teia que me prende que é você, você vem me dizer que me ama?

Bruno não falou nada. Apenas fez o que sempre fazia quando ela estava chateada. A abraçou. Clara tentou resistir e depois se rendeu aquele abraço que sempre sabia fazê-la sorrir. O cheiro dele a envolveu e ela despencou em lágrimas nos braços daquele que fazia com que o resto do mundo desaparecesse.

O funcionário do aeroporto a alertou de que ela precisava embarcar. Tentando sorrir, Clara olhou para o corredor que a levaria para seu sucesso pessoal e profissional e para o homem que a levaria as estrelas.
Ela mecheu em seu cabelo, olhou em seus olhos, sorriu e disse:

- Sim.

Bruno assistiu o amor de sua vida entrar pelo corredor, e de repente uma alegria inundou seu coração, ele sorriu, virou as costas, e foi arrumar suas malas.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pontinhos Coloridos no fundo azul - Narraçao (nao me lembro a faculdade)



                
  - Não me importa sua opinião, você vai fazer exatamente como os outros fazem. Fui claro?

Pedro apenas concordou balançando a cabeça e se limitou a dar um sorriso. Ele compreendia sua pequenês diante da grande máquina que lhe dava ordens. Era apenas mais um, no meio de bilhões de pontinhos coloridos sobre o fundo azul.
 Não era o primeiro a questionar a ordem estabelecida e com certeza não seria o último. Às vezes, o "GPS" desses pontinhos fava um probleminha ou outro, os permitindo olhar para os lados, e era pra  esse tipo de problema que eles estavam sob olhos atentos que imediatamente davam um jeito.
 Enquanto Pedro andava de volta para suas funções, esbarrou em um pontinho diferente de todos os outros que já tinha visto. A cor era tão alegre e viva, que ele quase não conseguiu defini-la. Com muito esforço, decidiu que era uma mistura refrescante de amarelo, laranjado e vermelho. Seu coração - que ele já nem sabia que existia - pulou e suas mãos até suaram quando aquela "pontinha" em meio a sua luta, lhe deu um sorriso. Estava sendo carregada a força por dois pontinhos escuros que trabalhavam para grande máquina. Aparentemente,  pelo mesmo motivo que ele havia sido levado até lá minutos mais cedo, mas ela, diferente de Pedro, não se conformava com a realidade e pela a expressão contraída de seu rosto e a forma com que debatia com seus braços e pernas, não ia se conformar tão cedo.

  Pedro resolveu adiar suas tarefas no momento em que a viu se sentar na sala de espera. Suas cores vibravam tanto que praticamente o chamavam para se juntar a ela. Resolveu obedecer.

- Bom dia! - Exclamou ela assim que o viu.
Pedro se assustou com a recepção calorosa, com a vida que aquela pontinha o passava mesmo numa situação como aquela e com a reação que aquela voz causou nele. Ele sorriu, sorriu de verdade, outra coisa que ele nem se lembrava que existia.

- Bom dia, tudo bem? - Ele quase se arrependeu de ter perguntado, já que ela começou a falar e não parava mais! Só falava em revolução, ideologias, mudanças, assuntos que Pedro nem se quer dominava mas o que o atraia eram suas cores que enquanto ela falava vibravam cada vez mais e atingiu o ápice do vermelho quando ela contou seu plano mirabolante do qual Pedro imediatamente já fazia parte.

- Se você me ajudar, vai dar tudo certo e nós vamos ser livres!
- Livres? - perguntou Pedro com certo cinismo - tem certeza?

Ela o olhou como quem desaprovava seu tom de cinismo. Pedro ficou sério embora por dentro não parava de sorrir, tal vida ela o trazia.
Jogando os ombros pra trás, ela retomou sua expressão de alegria, como que ignorando a falta de visão do mais novo colega.

- Vem comigo, que eu te mostro como chegar lá!

Pedro sentiu sua mão formigar ao sentir a dela apertando seu braço. Naquele momento, Pedro sentiu seu verde escuro ficar um pouco mais rosado, pro lado do vermelho.                                          

sexta-feira, 11 de março de 2011

07.03.11

 Hoje eu quero falar um pouco sobre o que aconteceu comigo nesses últimos meses. Sem rimas, poesias ou estilos literários. Eu sou a Ana, aquela filha do pastor Gedeão e da Celma. E foi essa que eu sempre fui, a filha do pastor Gedeão que é a cara da mãe Celma. Por quantos anos, eu estive a frente da igreja cantando "Te louvarei, não importam as circunstâncias"? Por quantos anos, criei com a ajuda de algumas pessoas uma expectativa em mim e na minha fé que julgava ser inabalável?!
 Nesse feriado de carnaval, no acampamento, o Pastor Eduardo falou coisas tão incríveis que pareciam se encaixar perfeitamente nas lacunas que estavam em branco da minha dor, do meu passado, da minha vida. Em uma de suas pregações ele falou de Felipe, o grande exemplo da vida dele. Bem, eu tive um exemplo também. Em 2008, eu conheci uma menina. Seus olhos brilhavam, seu sorriso irradiava e sua gargalhada contagiava. Ela falava de Deus, de uma forma diferente, como eu nunca havia escutado antes, ela me abraçou com um amor que eu nunca tinha sentido antes, ela me entendia, me amava, me corrigia, me guiava.
Deus tirou meu exemplo de mim. Meu exemplo morreu com apenas 16 anos e uma vida inteira pela frente.
A morte da Cissa, fez um estrago enorme na minha vida, e eu, logo eu, que todos esperavam que aguentaria, eu, que eu mesma esperava aguentar, não supri as expectativas. Eu que pensava que choraria e pronto, não consegui seguir em frente. Dentro de mim, a ferida se abria mais e a dor me perturbava aos poucos. Eu não louvei em qualquer circunstância, eu não dei graças em tudo, mesmo depois de anos cantando, simplesmente não era simples assim.
"Mas o fracasso não é a última resposta". Foi exatamente as palavras que saíram da boca do pastor quando passou pela minha mente que eu tinha falhado, eu tinha fracassado.
Nos últimos meses, eu senti uma dor indescritível, eu chorei, eu questionei, eu duvidei, eu tive raiva, angústia, e deixei que essas coisas me afastassem um pouco de Deus. Tudo me lembrava ela, todo versículo da bíblia, toda música do louvor, todo canto, todo lado. Talvez em uma expectativa de tê-la um pouco por perto, me agarrei em outra saída: falar dela. Falava dela 24 horas por dia, de como ela era linda, de como ela era uma bênção, de como Deus falava através dela,  e blá blá blá. E de novo, minha resposta veio 5 meses depois através do pastor que disse "Para de falar do quanto os outros são uma benção, levanta e seja você uma bênção!"
Meu coração batia, de alegria meus olhos se encheram de lágrimas, lá estava ELE, lá estava Deus se importando comigo a ponto de me responder. Lá estava quem eu "procurei" durante meses.
Eu queria ser uma benção, naquele momento, eu queria ser tudo que eu era, eu queria deixar de ser uma crente "ava" (que orava, pregava, cantava...) eu queria fazer, eu queria ser. Eu queria aprender a louvar independente da circunstância, e no dia 07.03.11, eu senti meu coração queimar como nunca havia sentido antes, era Ele, que ignorando todas as minhas falhas e o meu fracasso, me chamava pra viver dependendo dEle, me chamava pra amar, me chamava pra ser testemunha do Teu amor, e eu fui. Eu fui e eu vou. Pra onde Ele quiser e quando Ele quiser, eu vou.
Uma das coisas que me marcou, foi quando disseram que o lugar mais seguro onde se pode estar, é no centro da vontade de Deus, e é lá que eu quero estar.
Eu precisei cair, pra que Deus me resgatasse, eu Ana Clara, não eu a filha do pastor Gedeão ou filha da Celma, eu, eu caí e Deus segurou a minha mão, olhou em meus olhos me chamou pelo nome, e me levantou.
Que Deus edifique sua vida na rocha, como está edificando a minha. Muito obrigada a todos os meus amigos, meus pais, pastores, e equuipes de louvor que foram instrumentos de Deus pra me ajudar nessa fase difícil da minha vida.
Tá na hora de pensar no nosso relacionamento com Deus, como Ele e a Cissa iam querer que a gente fizesse.

                                                          

"Não há ninguém como o Senhor, nosso Deus, que tem o seu ttrono nas alturas, mas se inclina para ver o que há no céu e na terra." Sl 113:5-6



"Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.Quem é este que sem conhecimento obscurece o conselho? por isso falei do que não entendia; coisas que para mim eram demasiado maravilhosas, e que eu não conhecia.Ouve, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me responderas.Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos." Jó 42:2-5


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A gota gelada num chuveiro quente



Eu estava curtindo minhas férias quando fui tomar banho e notei algo que me incomodava no chuveiro. Em meio a tantas gotas quentinhas e de efeito calmante havia uma que era bem gelada e caía continuamente em minhas costas. Pra vocês deve ser algo bem "e daí" mas como eu viajo em tudo que acontece comigo, comecei a pensar o porquê de aquela gota me irritar tanto, ela era apenas UMA em meio a inúmeras outras. Mas o fato de ela ser diferente me irritava, o fato de não ser como as outras, não ter o mesmo efeito calmante e sim o efeito eletrizante. Ela tinha a mesma forma das outras, a mesma função das outras, era apenas, diferente. E aí que passa a ter a ver com você. Por que nós insistimos em nos irritar com as diferenças? Por que uma pessoa, sendo formada exatamente como a outra não tem o direito de ser diferente sem ser excluída do grupo ou rotulada pelos outros "iguais"?
Eu sei que esse assunto é um clichê e que todo mundo bate nessa tecla há muitos anos, mas se é tão falado é porque tem motivo. A minha 'sorte de hoje' do orkut as vezes vem com uma frase interessante que diz mais ou menos que as gerações de hoje ri das modas antigas mas segue fielmente as modinhas atuais. Pra mim é exatamente isso que acontece no mundo e não culpo essa geração porque ao longo da história isso se repetiu várias vezes. Quer um exemplo? Se você não gosta de negros, homossexuais e deficientes você não tem direito nenhum de julgar um dos maiores inimigos dos direitos humanos: Adolf  Hitler.
Forte isso? Eu sei que você provavelmente não seria capaz de fazer o que ele fez, mas torturas emocionais, isolamentos sociais e violência podem ser armas perigosas e muitas vezes marcam muito mais a vida de uma pessoa que podemos imaginar.
Antes de rotular, isolar ou se irritar com uma pessoa só por ela ser diferente, pense se você estará honrando seus valores. O melhor homem do mundo disse uma vez que quem quisesse herdar o reino dos céus teria de ser diferente de todos os outros. Não encare a diferença como uma ameaça ou simplesmente como algo ruim, as pessoas são diferentes pra que possam ser amadas em seus detalhes, e ser "único" hoje é uma das metas mais difíceis que temos. Não tenha medo de ser diferente, de vestir o que gosta, de comer o que quer, de ser quem você, e somente você é. Porque o presente de ser diferente dos outros, foi Deus quem te deu, e agora, você é livre pra ser um gotinha gelada, em meio a bilhões de gotinhas quentes.