segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Conto Livre - Mundos

        

 
  

 
   Cada pessoa é um mundo. E cada um faz o seu mundo exatamente como deseja: Colorido ou em preto e branco, cheio de pessoas ou solitário, barulhentos ou silenciosos. A tendência da grande maioria é ter mundos parecidos para que possam interagir entre si e em meio a mundos iguais, eu vivo no meu mundo onde contrariando todas as espectativas existe só eu e a música e ela, me acompanha em todos os lugares, em todo o tempo.
  Entre os mundos lá fora, eu ouvi algo sobre individualidade e por mais que muitos não entendam é isso que eu vivo e até gosto de viver. Meu nome é Heitor. Descobi após notar que sempre que dizem essa palavra sinto minha individualidade sendo invadida por um cutucão vindo de outros garotos e que geralmente também usam palavras como esquisito e estranho para se referirem a mim. Mas eu não ligo e pra falar a verdade, nem presto atenção.
 Não gosto que me toquem. Ou que conversem muito comigo. Além do meu peixe, as únicas ocupações que procuro manter são meus quebras - cabeças e um violão que mesmo não sabendo tocar, gosto de imitar a musica que escuto mesmo quando tudo está em silêncio.
 Às vezes, sinto que ela  vem do céu, como se alguém de lá tentasse me falar algo e se as outras pessoas ficassem mais tempo caladas também ouviriam. Afinal, poucos deles tiram nem que seja um minuto para observar o céu. Talvez o deles são seja tão azul e limpo como o meu é e quando olho pra ele é como se pudesse voar junto aos pássaros. É nisso que penso, quando me dão pilulas e injeções pra curar minha 'doença' de querer viver sozinho. Antes de descobrir qual era o meu 'problema' eu era apenas um menino que estava demorando falar, depois que virei o ' menino autista ' a única ação que fazem é pra tentar me deixar desconfortavél ou simplismente me convencer de que criar um mundo só meu foi extremamente errado e uma prova viva de que não sou normal.                                                          

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nostalgia

    
                                     

Hoje, é minha última noite na casa em que cresci. Por isso, vou escrever sobre nostalgia.
Crescer em um lugar não é como passar as férias ou alguns meses, são exatamente 16 anos, 192 meses e 5760 dias passados em sua maioria, em um mesmo lugar com as mesmas pessoas. Olho para os lados e parece que cada canto me conta uma história, como se cada canto tivesse o som das risadas que eu e meus irmãos dividimos aqui. A mancha no tapete e na mobília, o quebradinho na parede, e até a rua de terra fazem com que eu, com apenas 16 anos, diga que esse lugar é minha infância.
Me lembro de quando ouvia as provocações e risadas de meu irmão mais velho: Léo. Sua risada escandalosa, sempre tão ciumento e cuidadoso, chegava tarde e fazia questão de me acordar bem cedo com o meu teclado. "DDDDJ" haha!
E ele foi o primeiro a deixar isso pra trás, foi quando começei a entender que as pessoas crescem, suas visões de mundo mudam e aí vem aquela famosa frase: A mudança é a lei da vida.
Mas tudo bem, pelo menos ainda tinha o outro irmão, Pedro, comigo. Com personalidades TOTALMENTE diferentes e entre tapas, socos, arranhões e pedidos de desculpa, crescemos juntos e até que deu certo, já que hoje a falta que ele me faz prova que valeu a pena. Maldita faculdade que leva todo mundo embora, não?
Podemos dizer, que essa casa foi cenário de um seriado com 16 temporadas. Aqui, foram protagonizados momentos de tristesa, aflição, medo, alegria, impolgação, comemoração...enfim, lágrimas e sorrisos que ficam marcados em cada um que viveu algo aqui.
Natais, dias dos pais, das mães, das crianças, ano novo, aniversários, trazendo pra velha casa a alegria de alguns companheiros a mais e cada ano uma decoração nova. E eram nessas datas em que eu me sentia mais feliz e mais em casa. Ter todos os irmãos, sobrinhos, "tios" (que na verdade são cunhados) e amigos reunidos, fazia do nosso lar, ainda mais feliz e CHEIO! Colchões na sala, nos quartos, malas por todos os cantos, cheirinho do churrasco do fernando vindo do quintal e a gritaria dos "primos" (que na verdade são sobrinhos) bagunçando os quartos - Insentivados pelo 'tio Sérgio' devo acrescentar - pra "Tia" Celma ficar nervosa traziam uma animação a mais para o ambiente. Se isso não soa como DIVERSÃO em sua mais sincera essência, eu realmente não sei o é isso.
Aqui eu destronquei o braço, quebrei o dente, ralei o joelho, caí tentando andar de bicicleta e bati a cara na porta inúmeras vezes. Aqui eu cantei, dancei, rodei até cair de tonta, tentei dar estrelinha, andei de motoca, gritei, pulei, passei a noite acordada, bati meus próprios recordes, descobri meus vicios, fiz teatro com fantoches aos 4 anos, fugi pra casa da vizinha, aprendi a falar, apanhei dos meus pais (no bom sentido), enfim, aprendi a viver.
E hoje vejo que não importa onde eu esteja, aqui sempre vai ser minha casa, meu lar e que todos os momentos aqui vividos, vão embora comigo. É sempre dificil quando chega a hora de crescer, mas o melhor mesmo é poder erguer a cabeça, enfrentar a vida e poder dizer: Que venha o resto, porque uma boa base, eu já tive.
Lembranças, são as únicas coisas que ninguem pode tirar de você.