terça-feira, 22 de junho de 2010

Conto dramático - Angústia, silêncio, solidão.

                         


Já marcavam 5:30 quando me dei conta de que estava sozinha; dei mais uma olhada para ter certeza e me deparei com o desespero da solidão. Respirei fundo e pronunciei bem baixinho o nome de meu marido, e naquele quarto escuro obtibe a pior das respostas: o silêncio. Vasculhei minha memória para tentar resgatar alguma lembrança de seus planos para aquela noite, mas para o meu desalento naão conseguia me lembrar de nada.
 Me levantei para checar as crianças mas algo prendeu minha atenção: quando olhei para cama onde antes descansava - por mais que a escuridão tentasse me impedir - constatei que era uma cama de solteiro. Aquilo despertou em mim uma tristeza profunda e medo, muito medo. Dúvidas rondavam minha mente como: Por quê não conseguia me lembrar de nada? Será que ele favia me deixado?
 Meu coração foi se apertando e lágrimas insistiram em cair, com minhas mãos trêmulas fui olhar pela janela e dei de cara com uma vista diferente da que costumava ter da janela de meu quarto, o que provava o maior dos meus medos: eu não estava em casa.
A chuva caía forte e impetuosa com raios e ventos que me davam arrepios! Sempre tive medo de chuva mas Pedro sempre me abraçava me dando segurança. Simplismente, me rendi, sentei no chão e por alguns minutos chorei, chorei como não chorava à muito tempo - não que eu me lembre do que aconteceu a muito tempo - e enquanto chorava, fui me acalmando mas aquele frio não passava, tentei com todas as forças me lembrar onde estava ou o que estava fazendo dormindo fora de casa mas novamente, nada me vinha em mente. Olhei novamente no relógio que já marcava 6:00. Resolvi me arrumar para quando Pedro viesse me buscar no nosso fusquinha e me levar daquele lugar pavoroso.
  Quando acendi a luz, a claridade foi tão forte que machucou meus olhos, estava em um quarto todo branco, frio e quase vazio, ali se encontravam apenas uma cama, acima dela um crucifixo e uma cômoda. Encontrei uma toalha e uma mala cheia de roupas e novamente uma série de dúvidas tomaram conta de minha já confusa cabeça. Peguei a toalha e entrei no banheiro para tomar banho, olhei no espelho e me assustei com a imagem: meus lindos cabelos loiros haviam sido trocados por fios grisalhos e minha pele lisa por uma enrugada. O pânico se apoderou de mim e tudo que pude fazer foi gritar e chorar, meu coração disparava enquanto o quarto se encheu de pessoas vestidas de branco que gritavam:
- Aconteceu de novo, aconteceu de novo!
Foi então que senti uma picada. Tudo se calou, senti minhas pálpebras pesando e voltei ao passado em doces sonhos e paz.                       

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Happiness




Mais uma manhã fria começa no mundo dos sorrisos. Me levanto devagar, e começo minha busca diária por aquilo que me faz feliz. Essa é uma das nossas necessidades que não sabemos como suprir. Tenho pra mim que a maioria das pessoas é movida por idéias prontas que a elas são impostas e assim, tem em sua mente de que a felicidade se encontra nas coisas grandes. Querem ter dinheiro, se apaixonar, conhecer o mundo, ser o funcionário do mês ou até mesmo o melhor do ano, mas isso muitas vezes não é o que desperta sorrisos verdadeiros e puros de alguém que está realmente sendo feliz. A felicidade não deveria ser conceituada, porque cada um tem seu próprio e único momento onde a encontra e muitos ainda não descobriram onde ela se esconde. Para algumas pessoas ela mora nos detalhes da pessoa amada, no sorriso e voz daquela pessoa que só precisa existir para fazer a diferença em suas vidas, já para outros, ela se encontra nas palhaçadas acompanhadas por gargalhadas dos amigos e na paz e segurança que encontramos na família. A verdade, é que não importa a forma ou onde ela se esconde, o importante é aprender a enxergá-la. Como disse Augusto Cury: “Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.” O segredo é saber enxergar a felicidade nas coisas mais pequenas e simples da vida, e em qualquer circunstância.

As pessoas tem que parar de alimentar sua própria ganância,tirar os olhos do futuro e colocá-los no presente e aí sim, procurar em volta nas pequenas coisas, naquelas que são simples e verdadeiras, lá acharão a verdadeira felicidade. Dizer a receita para a felicidade ninguém é capaz, mas acho que se limita em viver sem medo do que possa vir, viver intensamente nas menores coisas, correr, cantar, rir, chorar, aproveitar cada segundo do dia como se fosse o último, e sorrir sempre, sorrisos verdadeiros e profundos, procurar a sua própria felicidade e valorizá-la, mais que isso valorizar a si mesmo e aí sim poder dizer que é feliz com todas as letras!

                                                                 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Narração livre - " Little angel"





 Tudo aconteceu em uma madrugada de sábado para domingo. Eu havia chegado um pouco atrasada para plantão e mal sabia que naquela noite algo mudaria pra mim. Eu era uma pessoa triste e orgulhosa e realmente precisava ser mudada.
 Cheguei por volta da meia niote e fui correndo vestir as roupas, tudo estava um caos, um grande acidente envolvendo três carros havia acontecido e éramos o pronto-socorro mais próximo, por isso colocaram toda a equipe de cirurgiões a postos para receber as vítimas. Poucos segundos depois, aquele lugar parecia o inferno. O barulho de sirene era insuportavel e parecia nao acavabar mais, uma ambulância atrás da outra chegavam trazendo pessoas com a vida por um fio, e finalmente os gritos de dor e desespero anunciavam uma longa noite de luta entre a vida e a morte e tudo isso dependia de nós, humanos privados de qualquer emoção ou sentimentalismo para honrar a profissao: brincar de Deus e salvar vidas.
 Fiquei com duas pacientes, uma mulher de 34 anos e sua filha de 5, ambas muito machucadas. A mãe aparentemente nao corria risco de vida, era uma mulher linda, morena com traços orientais e mesmo com a dor que estava passando, parecia a mais calma do lugar - mais calma que os próprios médicos - A primeira fala foi:
- Eu não me importo de morrer, salve minha filha antes!
Aquilo me comoveu, e me fez procurar pela menina, escutei a voz de uma anjinha cantando olhei para o lado e lá estava o anjinho com 60% do corpo queimado, nervos expostos e com certeza muita dor. Por alguns segundos fiquei paralisada com a imagem, simplismente não era justo. Cheguei perto e por incrivel que pareça ela nao chorava nem gritava, além de cantar, sorria; aquilo até me acalmou um pouco, ver que ela estava tao tranquila. Um pedacinho do céu em meio ao inferno. A música era uma melodia calma sobre coisas do céu adorando o próprio Deus e aquela anjinha o entoava em alto e bom som para quem quisesse ouvir.
  Fui checar os sinais vitais e por mais que ela cantasse, não respirava bem. Inalara muita fumaça e por ser tão nova não viveria por tanto tempo, e aquela anjinha usava seu último fôlego para cantar. Foi ali que percebi: meu orgulho estava sendo quebrado, não conseguiria salvar aquela anjinha; acho que ela percebeu minha batalha interna, porque olhou para mim como se tivesse me notado ali pela primeira vez:
- Está tudo bem, Ele disse que a dor vai passar logo. Eu vou dormir um pouco agora, diz para mamae que vou estar sempre com ela.
Seus olhinhos se fecharam. Naquele momento, ela sentiu a sensação de estar voando, e eu pela primeira vez, a de não estar no controle.