sexta-feira, 21 de maio de 2010

"Deitar no teu abraço, retomar o pedaço que falta no meu coração...



O abraço marca o começo e o fim. Existem abraços que falam. Sim, eles falam. Quando estamos tristes, nele encontramos conforto; quando estamos alegres nele encontramos companheirismo, quando estamos cansados ele nos dá o descanso e quando estamos com medo ele trás segurança.
 Mas a verdade mesmo é que o poder do abraço vai muito além disso. O abraço é sempre o mediador entre o bom e o ruim, entre a vontade e a realidade, ele nao abandona. Está presente nos momentos felizes, mas também sempre apareçe no caso de a tristeza chegar, ele está no começo do romance trazendo com ele uma série de sensações, uma pra cada momento: as borboletas no estomago quando ele aparece pela primeira vez, a felicidade pra quando ele mata a saudade e a sensação de segurança quando ele é bem forte. Mas se caso o romance acabar, é com ele que se despedem, e pra essas horas ele trás uma porção de consolo e esperança, pra amenizar um pouco da tristeza.
Às vezes, o abraço fala mais que muitas palavras. Ele tem o poder de dizer algumas frases como: "Não se preocupe, eu estou aqui." ou, "vai dar tudo certo" e tudo apenas com um gesto, o mais nobre dos gestos. Existe aquele abraço gostoso entre amigos, que não diz nada, apenas dá risadas; existe também aquele abraço entre pais e filhos, o abraço que carrega o maior amor do mundo,que carrega segurança e uma das sensações mais raras: a de estar em casa. O abraço é aquele que escuta seus pensamentos, ele sabe o que você sente pela pessoa abraçada e sabe se ela sente o mesmo, talvez sim, talvez nao, não importa, o importante mesmo é que aquela pessoa está em seus braços, e naquele momento você diz tudo, sem falar nada.
O abraço é, sem dúvidas, a mais poderosa arma humana use-o o maximo possivel, porque é a forma mais barata de deixar alguém feliz. É o presente que você não vai achar ruim se houver devolução!
E você, já abraçou alguem hoje?

Último romance

A tragédia desse mundo é que ninguém é feliz, não importa se preso a uma época de sofrimento ou de felicidade. A tragédia deste mundo é que todos estão sozinhos. Pois uma vida no passado não pode ser partilhada com o presente, e não há nada que se pode fazer para que isso seja diferente.

A luz do sol, em ângulos abertos, rompe uma janela no fim da tarde. De dentro uma mulher com cabelos molhados, deitada em um sofá, segura a mão de um homem que nunca mais verá novamente. Seu rosto demonstra um vazio intrigante, uma mistura de saudade com tristeza, de compreensão com amor. Para o homem era impossível decifrá-la, e era assim desde que se conheceram: “um grande enigma” era como ele a definia. A chuva caia forte e ele examinava sua mente para se lembrar como havia parado ali, naquela casa abandonada com aquela mulher que ele conhecera a poucos meses.Seus cabelos negros lhe traziam lembranças fortes de dias intensos, mas isso já não era importante, o importante é que a decisão havia sido tomada: ele a deixaria, e não pensaria duas vezes. Não era por maldade ele não tinha muitas escolhas. Os pensamentos passavam rápido por sua cabeça e como um filme ele se lembrava dos últimos dias. Dos bons momentos passados com ela e das perguntas acusadoras da esposa, a verdade é que ele já nem sabia mais o que queria. E assim, o silêncio reinava naquela sala, onde dois corações sofriam e se olhando, ambos choravam.

- Queria ler seus pensamentos – disse o homem.

- Você sabe que é contra as regras – respondeu ela. Um sorriso triste se arquitetou em seu rosto e ela permitiu que as lágrimas rolassem.

- Você e suas regras! – o homem até tentou sorrir, mas as lágrimas eram mais fortes.

Em pouco tempo, ele aprendera a amar aquela mulher enigmática, bem humorada e intrigante. A cada dia, ele descobria algo novo nela, o que trouxe cor a sua velha vida que costumava ser em preto e branco.

- Olha, as coisas não são fáceis para mim, você sabe que eu...

Ela o interrompeu, colocando o dedo em seus lábios.

- Ei, você não precisa se explicar meu amor, eu entendo.

Sua expressão mudara para um sorriso falso, e com olhos de pena, ela o observava, o que lhe fazia sentir seu corpo tremendo como há muito não sentia. Sentia falta de casa e de seus filhos, mas aquele olhar...era envolvente demais, e seu coração se apertava só de imaginar de deixá-la ali, sozinha, naquele lugar desconhecido.

Olhou no relógio que marcava a mesma hora de quando ele a conhecera, o pensamento lhe causou espanto e como se ela lesse seus pensamentos, disse:

- Está na hora, pode ir agora. – e sorriu, dessa vez sorriu de coração, e ele já havia sonhado muito com aquele sorriso. Algo naquela mulher, não era normal, ela era diferente, surreal.

Ela se sentou, passou a mão em seu rosto, ele fechou os olhos para sentir aquelas finas mãos e foi quando sentiu um ultimo beijo. Seu coração pulou em seu peito, e ele abriu os olhos pronto a ficar com ela para sempre, mas ela já não estava mais lá. Lentamente, ele se levantou, andou até a porta e olhando a noite estrelada, sussurrou com uma certa esperança de que ela escutaria:

- Eu te amo até o fim.

Assim, chorou, e andando, foi embora para sua velha vida em preto em branco.