quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Carpe Diem

Adicionar legenda





É incrível como a vida sempre insiste em nos surpreender. Às vezes surpresas boas que nos fazem pular e cantar e querer dormir só para chegar outro dia. Outras, tão ruins que nos fazem "perder o chão", tiram de nós a sensação de estar no controle. O fato, é que estamos vivos e isso já basta para que a vida nos apronte umas. 
Nós somos criados para sermos fortes. Enquanto crianças, nossos pais estão lá para segurar e amparar e a criação tem sempre em foco preparar o filho para enfrentar o mundo. Mas nós nunca estaremos realmente preparados, não é?
Mais cedo ou mais tarde, todos nós tivemos que aprender a lidar com a dor da decepção, da perda, da solidão.Um telefonema, um resultado de exame ou um descuido; Pequenas coisas que no momento errado, com a resposta errada, são mais do que suficiente para tirar o ar, o chão e a alegria de pessoas "fortes" que automaticamente procuram alguém para culpar. Deus? Eu mesmo? E nesse momento, a dor é tão grande que parece não ter fim. A dor da culpa, a dor de não ter uma resposta ou simplesmente, a dor de ter a resposta indesejada.
Mas, posso te contar um segredo? Ela vai passar. Por mais que no momento pareça que o mundo vai acabar, ou que a dor vai acabar com você, ela vai passar. E mais do que passar, ela vai te fortalecer.
Como diz uma frase que eu particularmente gosto muito: "Se a vida te mostrou mais um caminho, nem você sabe onde quer chegar." São essas quedas, que nos ajudam a amadurecer, fortalecer e ver a vida com outros olhos. Só quem perdeu sabe a dor, mas só os que se levantaram adquiriram experiência e "novos olhos" para seguir em frente.
É realmente como se fôssemos os protagonistas de nosso próprio livro em que um capitulo é continuação do outro e todos eles são indispensáveis para o resultado final. Logo abaixo da foto, está escrito "Adicionar legenda" e eu não deixei isso por descuido, não! É porque cabe a você decidir a legenda. Cabe a você dar  nome ao seu livro e cabe a você dar a ele um final.
Que a vida vai te dar outros golpes vai, mas é porque, ela - juntamente com seus pais - vai te ensinar que apesar das quedas, você é forte e o que você vive é muito mais do que isso.
Encerro aqui com uma frase que li durante a semana que me deixou profundamente intrigada: 

"Apesar de tudo, ainda acredito que as pessoas são boas em seu coração." Anne Frank - O diário de Anne Frank



Em memória de Cecília Cury. (L)


                                                        

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Tempo: Devorador das coisas ?

    








 
Se criassem algum aparelho que controla o tempo, ele sem dúvidas entraria para o "hall dos aparelhos mais vendidos na história". Não só porque gostamos de coisas novas, mas principalmente pelo desejo de controlar o tempo e consequentemente a vida que, todos nós, seres mortais, temos uma vez ou outra.
  Parar o tempo, rebobiná-lo ou até mesmo passá-lo para frente são truques que podem ser bastante úteis ao longo da vida. Temos pressa de crescer e completar a maior idade, de dirigir, de ser promovido, de casar (nesse momento, parar o tempo seria interessante), de repente vem os filhos, a idade passa e junto com ela a vontade de pausar, respirar e entender como tudo isso aconteceu.
 É nessa hora que culpamos a "pessoa" errada. E, sempre quando nos perguntamos como e porque as coisas mudaram a resposta é sempre a mesma: "O tempo passou." Que o tempo passou é sempre evidente, mas será que esse é o problema?
  Anos e anos se vão e nós insistimos naquela velha mania de viver o presente com os olhos no futuro e esquecemos que o hoje era o futuro de ontem e assim, ontem, hoje e amanha formam um ciclo vicioso que prende quase toda a nossa atenção não sobrando "tempo" para perceber qeu quem faz a vida somos nós. É uma bagunça até  cansativa, não?
 Se parássemos para pensar - e fazer contas - perceberíamos que o tempo é uma dádiva e quem realmente devora as coisas é a nossa pressa. Vivendo com calma é possivel ver que existe um tempo relativamente grande para cada fase da vida e é ele que nos dá a capacidade de crescer, descobrir, mudar, viver novas oportunidades e se realizar de forma bem feita!
Aproveitar um dia de cada vez é extrair o máximo que a vida tem para nos ofercer, já que por mais que o tempo às vezes voe, ele infelizmente não volta atrás.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Conto Livre - Mundos

        

 
  

 
   Cada pessoa é um mundo. E cada um faz o seu mundo exatamente como deseja: Colorido ou em preto e branco, cheio de pessoas ou solitário, barulhentos ou silenciosos. A tendência da grande maioria é ter mundos parecidos para que possam interagir entre si e em meio a mundos iguais, eu vivo no meu mundo onde contrariando todas as espectativas existe só eu e a música e ela, me acompanha em todos os lugares, em todo o tempo.
  Entre os mundos lá fora, eu ouvi algo sobre individualidade e por mais que muitos não entendam é isso que eu vivo e até gosto de viver. Meu nome é Heitor. Descobi após notar que sempre que dizem essa palavra sinto minha individualidade sendo invadida por um cutucão vindo de outros garotos e que geralmente também usam palavras como esquisito e estranho para se referirem a mim. Mas eu não ligo e pra falar a verdade, nem presto atenção.
 Não gosto que me toquem. Ou que conversem muito comigo. Além do meu peixe, as únicas ocupações que procuro manter são meus quebras - cabeças e um violão que mesmo não sabendo tocar, gosto de imitar a musica que escuto mesmo quando tudo está em silêncio.
 Às vezes, sinto que ela  vem do céu, como se alguém de lá tentasse me falar algo e se as outras pessoas ficassem mais tempo caladas também ouviriam. Afinal, poucos deles tiram nem que seja um minuto para observar o céu. Talvez o deles são seja tão azul e limpo como o meu é e quando olho pra ele é como se pudesse voar junto aos pássaros. É nisso que penso, quando me dão pilulas e injeções pra curar minha 'doença' de querer viver sozinho. Antes de descobrir qual era o meu 'problema' eu era apenas um menino que estava demorando falar, depois que virei o ' menino autista ' a única ação que fazem é pra tentar me deixar desconfortavél ou simplismente me convencer de que criar um mundo só meu foi extremamente errado e uma prova viva de que não sou normal.                                                          

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nostalgia

    
                                     

Hoje, é minha última noite na casa em que cresci. Por isso, vou escrever sobre nostalgia.
Crescer em um lugar não é como passar as férias ou alguns meses, são exatamente 16 anos, 192 meses e 5760 dias passados em sua maioria, em um mesmo lugar com as mesmas pessoas. Olho para os lados e parece que cada canto me conta uma história, como se cada canto tivesse o som das risadas que eu e meus irmãos dividimos aqui. A mancha no tapete e na mobília, o quebradinho na parede, e até a rua de terra fazem com que eu, com apenas 16 anos, diga que esse lugar é minha infância.
Me lembro de quando ouvia as provocações e risadas de meu irmão mais velho: Léo. Sua risada escandalosa, sempre tão ciumento e cuidadoso, chegava tarde e fazia questão de me acordar bem cedo com o meu teclado. "DDDDJ" haha!
E ele foi o primeiro a deixar isso pra trás, foi quando começei a entender que as pessoas crescem, suas visões de mundo mudam e aí vem aquela famosa frase: A mudança é a lei da vida.
Mas tudo bem, pelo menos ainda tinha o outro irmão, Pedro, comigo. Com personalidades TOTALMENTE diferentes e entre tapas, socos, arranhões e pedidos de desculpa, crescemos juntos e até que deu certo, já que hoje a falta que ele me faz prova que valeu a pena. Maldita faculdade que leva todo mundo embora, não?
Podemos dizer, que essa casa foi cenário de um seriado com 16 temporadas. Aqui, foram protagonizados momentos de tristesa, aflição, medo, alegria, impolgação, comemoração...enfim, lágrimas e sorrisos que ficam marcados em cada um que viveu algo aqui.
Natais, dias dos pais, das mães, das crianças, ano novo, aniversários, trazendo pra velha casa a alegria de alguns companheiros a mais e cada ano uma decoração nova. E eram nessas datas em que eu me sentia mais feliz e mais em casa. Ter todos os irmãos, sobrinhos, "tios" (que na verdade são cunhados) e amigos reunidos, fazia do nosso lar, ainda mais feliz e CHEIO! Colchões na sala, nos quartos, malas por todos os cantos, cheirinho do churrasco do fernando vindo do quintal e a gritaria dos "primos" (que na verdade são sobrinhos) bagunçando os quartos - Insentivados pelo 'tio Sérgio' devo acrescentar - pra "Tia" Celma ficar nervosa traziam uma animação a mais para o ambiente. Se isso não soa como DIVERSÃO em sua mais sincera essência, eu realmente não sei o é isso.
Aqui eu destronquei o braço, quebrei o dente, ralei o joelho, caí tentando andar de bicicleta e bati a cara na porta inúmeras vezes. Aqui eu cantei, dancei, rodei até cair de tonta, tentei dar estrelinha, andei de motoca, gritei, pulei, passei a noite acordada, bati meus próprios recordes, descobri meus vicios, fiz teatro com fantoches aos 4 anos, fugi pra casa da vizinha, aprendi a falar, apanhei dos meus pais (no bom sentido), enfim, aprendi a viver.
E hoje vejo que não importa onde eu esteja, aqui sempre vai ser minha casa, meu lar e que todos os momentos aqui vividos, vão embora comigo. É sempre dificil quando chega a hora de crescer, mas o melhor mesmo é poder erguer a cabeça, enfrentar a vida e poder dizer: Que venha o resto, porque uma boa base, eu já tive.
Lembranças, são as únicas coisas que ninguem pode tirar de você.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Conto dramático - Angústia, silêncio, solidão.

                         


Já marcavam 5:30 quando me dei conta de que estava sozinha; dei mais uma olhada para ter certeza e me deparei com o desespero da solidão. Respirei fundo e pronunciei bem baixinho o nome de meu marido, e naquele quarto escuro obtibe a pior das respostas: o silêncio. Vasculhei minha memória para tentar resgatar alguma lembrança de seus planos para aquela noite, mas para o meu desalento naão conseguia me lembrar de nada.
 Me levantei para checar as crianças mas algo prendeu minha atenção: quando olhei para cama onde antes descansava - por mais que a escuridão tentasse me impedir - constatei que era uma cama de solteiro. Aquilo despertou em mim uma tristeza profunda e medo, muito medo. Dúvidas rondavam minha mente como: Por quê não conseguia me lembrar de nada? Será que ele favia me deixado?
 Meu coração foi se apertando e lágrimas insistiram em cair, com minhas mãos trêmulas fui olhar pela janela e dei de cara com uma vista diferente da que costumava ter da janela de meu quarto, o que provava o maior dos meus medos: eu não estava em casa.
A chuva caía forte e impetuosa com raios e ventos que me davam arrepios! Sempre tive medo de chuva mas Pedro sempre me abraçava me dando segurança. Simplismente, me rendi, sentei no chão e por alguns minutos chorei, chorei como não chorava à muito tempo - não que eu me lembre do que aconteceu a muito tempo - e enquanto chorava, fui me acalmando mas aquele frio não passava, tentei com todas as forças me lembrar onde estava ou o que estava fazendo dormindo fora de casa mas novamente, nada me vinha em mente. Olhei novamente no relógio que já marcava 6:00. Resolvi me arrumar para quando Pedro viesse me buscar no nosso fusquinha e me levar daquele lugar pavoroso.
  Quando acendi a luz, a claridade foi tão forte que machucou meus olhos, estava em um quarto todo branco, frio e quase vazio, ali se encontravam apenas uma cama, acima dela um crucifixo e uma cômoda. Encontrei uma toalha e uma mala cheia de roupas e novamente uma série de dúvidas tomaram conta de minha já confusa cabeça. Peguei a toalha e entrei no banheiro para tomar banho, olhei no espelho e me assustei com a imagem: meus lindos cabelos loiros haviam sido trocados por fios grisalhos e minha pele lisa por uma enrugada. O pânico se apoderou de mim e tudo que pude fazer foi gritar e chorar, meu coração disparava enquanto o quarto se encheu de pessoas vestidas de branco que gritavam:
- Aconteceu de novo, aconteceu de novo!
Foi então que senti uma picada. Tudo se calou, senti minhas pálpebras pesando e voltei ao passado em doces sonhos e paz.                       

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Happiness




Mais uma manhã fria começa no mundo dos sorrisos. Me levanto devagar, e começo minha busca diária por aquilo que me faz feliz. Essa é uma das nossas necessidades que não sabemos como suprir. Tenho pra mim que a maioria das pessoas é movida por idéias prontas que a elas são impostas e assim, tem em sua mente de que a felicidade se encontra nas coisas grandes. Querem ter dinheiro, se apaixonar, conhecer o mundo, ser o funcionário do mês ou até mesmo o melhor do ano, mas isso muitas vezes não é o que desperta sorrisos verdadeiros e puros de alguém que está realmente sendo feliz. A felicidade não deveria ser conceituada, porque cada um tem seu próprio e único momento onde a encontra e muitos ainda não descobriram onde ela se esconde. Para algumas pessoas ela mora nos detalhes da pessoa amada, no sorriso e voz daquela pessoa que só precisa existir para fazer a diferença em suas vidas, já para outros, ela se encontra nas palhaçadas acompanhadas por gargalhadas dos amigos e na paz e segurança que encontramos na família. A verdade, é que não importa a forma ou onde ela se esconde, o importante é aprender a enxergá-la. Como disse Augusto Cury: “Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.” O segredo é saber enxergar a felicidade nas coisas mais pequenas e simples da vida, e em qualquer circunstância.

As pessoas tem que parar de alimentar sua própria ganância,tirar os olhos do futuro e colocá-los no presente e aí sim, procurar em volta nas pequenas coisas, naquelas que são simples e verdadeiras, lá acharão a verdadeira felicidade. Dizer a receita para a felicidade ninguém é capaz, mas acho que se limita em viver sem medo do que possa vir, viver intensamente nas menores coisas, correr, cantar, rir, chorar, aproveitar cada segundo do dia como se fosse o último, e sorrir sempre, sorrisos verdadeiros e profundos, procurar a sua própria felicidade e valorizá-la, mais que isso valorizar a si mesmo e aí sim poder dizer que é feliz com todas as letras!

                                                                 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Narração livre - " Little angel"





 Tudo aconteceu em uma madrugada de sábado para domingo. Eu havia chegado um pouco atrasada para plantão e mal sabia que naquela noite algo mudaria pra mim. Eu era uma pessoa triste e orgulhosa e realmente precisava ser mudada.
 Cheguei por volta da meia niote e fui correndo vestir as roupas, tudo estava um caos, um grande acidente envolvendo três carros havia acontecido e éramos o pronto-socorro mais próximo, por isso colocaram toda a equipe de cirurgiões a postos para receber as vítimas. Poucos segundos depois, aquele lugar parecia o inferno. O barulho de sirene era insuportavel e parecia nao acavabar mais, uma ambulância atrás da outra chegavam trazendo pessoas com a vida por um fio, e finalmente os gritos de dor e desespero anunciavam uma longa noite de luta entre a vida e a morte e tudo isso dependia de nós, humanos privados de qualquer emoção ou sentimentalismo para honrar a profissao: brincar de Deus e salvar vidas.
 Fiquei com duas pacientes, uma mulher de 34 anos e sua filha de 5, ambas muito machucadas. A mãe aparentemente nao corria risco de vida, era uma mulher linda, morena com traços orientais e mesmo com a dor que estava passando, parecia a mais calma do lugar - mais calma que os próprios médicos - A primeira fala foi:
- Eu não me importo de morrer, salve minha filha antes!
Aquilo me comoveu, e me fez procurar pela menina, escutei a voz de uma anjinha cantando olhei para o lado e lá estava o anjinho com 60% do corpo queimado, nervos expostos e com certeza muita dor. Por alguns segundos fiquei paralisada com a imagem, simplismente não era justo. Cheguei perto e por incrivel que pareça ela nao chorava nem gritava, além de cantar, sorria; aquilo até me acalmou um pouco, ver que ela estava tao tranquila. Um pedacinho do céu em meio ao inferno. A música era uma melodia calma sobre coisas do céu adorando o próprio Deus e aquela anjinha o entoava em alto e bom som para quem quisesse ouvir.
  Fui checar os sinais vitais e por mais que ela cantasse, não respirava bem. Inalara muita fumaça e por ser tão nova não viveria por tanto tempo, e aquela anjinha usava seu último fôlego para cantar. Foi ali que percebi: meu orgulho estava sendo quebrado, não conseguiria salvar aquela anjinha; acho que ela percebeu minha batalha interna, porque olhou para mim como se tivesse me notado ali pela primeira vez:
- Está tudo bem, Ele disse que a dor vai passar logo. Eu vou dormir um pouco agora, diz para mamae que vou estar sempre com ela.
Seus olhinhos se fecharam. Naquele momento, ela sentiu a sensação de estar voando, e eu pela primeira vez, a de não estar no controle.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

"Deitar no teu abraço, retomar o pedaço que falta no meu coração...



O abraço marca o começo e o fim. Existem abraços que falam. Sim, eles falam. Quando estamos tristes, nele encontramos conforto; quando estamos alegres nele encontramos companheirismo, quando estamos cansados ele nos dá o descanso e quando estamos com medo ele trás segurança.
 Mas a verdade mesmo é que o poder do abraço vai muito além disso. O abraço é sempre o mediador entre o bom e o ruim, entre a vontade e a realidade, ele nao abandona. Está presente nos momentos felizes, mas também sempre apareçe no caso de a tristeza chegar, ele está no começo do romance trazendo com ele uma série de sensações, uma pra cada momento: as borboletas no estomago quando ele aparece pela primeira vez, a felicidade pra quando ele mata a saudade e a sensação de segurança quando ele é bem forte. Mas se caso o romance acabar, é com ele que se despedem, e pra essas horas ele trás uma porção de consolo e esperança, pra amenizar um pouco da tristeza.
Às vezes, o abraço fala mais que muitas palavras. Ele tem o poder de dizer algumas frases como: "Não se preocupe, eu estou aqui." ou, "vai dar tudo certo" e tudo apenas com um gesto, o mais nobre dos gestos. Existe aquele abraço gostoso entre amigos, que não diz nada, apenas dá risadas; existe também aquele abraço entre pais e filhos, o abraço que carrega o maior amor do mundo,que carrega segurança e uma das sensações mais raras: a de estar em casa. O abraço é aquele que escuta seus pensamentos, ele sabe o que você sente pela pessoa abraçada e sabe se ela sente o mesmo, talvez sim, talvez nao, não importa, o importante mesmo é que aquela pessoa está em seus braços, e naquele momento você diz tudo, sem falar nada.
O abraço é, sem dúvidas, a mais poderosa arma humana use-o o maximo possivel, porque é a forma mais barata de deixar alguém feliz. É o presente que você não vai achar ruim se houver devolução!
E você, já abraçou alguem hoje?

Último romance

A tragédia desse mundo é que ninguém é feliz, não importa se preso a uma época de sofrimento ou de felicidade. A tragédia deste mundo é que todos estão sozinhos. Pois uma vida no passado não pode ser partilhada com o presente, e não há nada que se pode fazer para que isso seja diferente.

A luz do sol, em ângulos abertos, rompe uma janela no fim da tarde. De dentro uma mulher com cabelos molhados, deitada em um sofá, segura a mão de um homem que nunca mais verá novamente. Seu rosto demonstra um vazio intrigante, uma mistura de saudade com tristeza, de compreensão com amor. Para o homem era impossível decifrá-la, e era assim desde que se conheceram: “um grande enigma” era como ele a definia. A chuva caia forte e ele examinava sua mente para se lembrar como havia parado ali, naquela casa abandonada com aquela mulher que ele conhecera a poucos meses.Seus cabelos negros lhe traziam lembranças fortes de dias intensos, mas isso já não era importante, o importante é que a decisão havia sido tomada: ele a deixaria, e não pensaria duas vezes. Não era por maldade ele não tinha muitas escolhas. Os pensamentos passavam rápido por sua cabeça e como um filme ele se lembrava dos últimos dias. Dos bons momentos passados com ela e das perguntas acusadoras da esposa, a verdade é que ele já nem sabia mais o que queria. E assim, o silêncio reinava naquela sala, onde dois corações sofriam e se olhando, ambos choravam.

- Queria ler seus pensamentos – disse o homem.

- Você sabe que é contra as regras – respondeu ela. Um sorriso triste se arquitetou em seu rosto e ela permitiu que as lágrimas rolassem.

- Você e suas regras! – o homem até tentou sorrir, mas as lágrimas eram mais fortes.

Em pouco tempo, ele aprendera a amar aquela mulher enigmática, bem humorada e intrigante. A cada dia, ele descobria algo novo nela, o que trouxe cor a sua velha vida que costumava ser em preto e branco.

- Olha, as coisas não são fáceis para mim, você sabe que eu...

Ela o interrompeu, colocando o dedo em seus lábios.

- Ei, você não precisa se explicar meu amor, eu entendo.

Sua expressão mudara para um sorriso falso, e com olhos de pena, ela o observava, o que lhe fazia sentir seu corpo tremendo como há muito não sentia. Sentia falta de casa e de seus filhos, mas aquele olhar...era envolvente demais, e seu coração se apertava só de imaginar de deixá-la ali, sozinha, naquele lugar desconhecido.

Olhou no relógio que marcava a mesma hora de quando ele a conhecera, o pensamento lhe causou espanto e como se ela lesse seus pensamentos, disse:

- Está na hora, pode ir agora. – e sorriu, dessa vez sorriu de coração, e ele já havia sonhado muito com aquele sorriso. Algo naquela mulher, não era normal, ela era diferente, surreal.

Ela se sentou, passou a mão em seu rosto, ele fechou os olhos para sentir aquelas finas mãos e foi quando sentiu um ultimo beijo. Seu coração pulou em seu peito, e ele abriu os olhos pronto a ficar com ela para sempre, mas ela já não estava mais lá. Lentamente, ele se levantou, andou até a porta e olhando a noite estrelada, sussurrou com uma certa esperança de que ela escutaria:

- Eu te amo até o fim.

Assim, chorou, e andando, foi embora para sua velha vida em preto em branco.